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Não se preocupem eleitores de Bolsonaro, estou fazendo uma série de artigos com as incoerências do que os candidatos dizem e o que a proposta de governo deles “prega”. Começo com Bolsonaro justamente por causa das incoerências serem maiores.

O plano de governo de Bolsonaro está disponível no site do filho dele Carlos Bolsonaro. Pode ser acessado por aqui, ou caso o link torne-se indisponível, pode ser baixado diretamente pelo meu site. Sua proposta tem o nome Projeto Fênix: O Caminho da Prosperidade.

Logo no início da sua proposta, na página 4, está escrito o seguinte: “As pessoas devem ter liberdade de fazer suas escolhas e viver com os frutos dessas escolhas, desde que não interfiram em aspectos essenciais da vida do próximo“. Ao mesmo tempo em que em outra parte do plano de governo, ele diz o seguinte:

“Os frutos de nossas escolhas afetivas têm nome: FAMÍLIA! Seja ela como for, é sagrada e o Estado não deve interferir em nossas vidas

No entanto, em uma matéria da Folha, Bolsonaro disse o seguinte:

Não é aceno à comunidade LGBT. Você vai no parágrafo 2º do artigo 226 da Constituição: para efeito de proteção do estado, é considerada família a união entre homem e uma mulher. Se alguém quiser achar que dois homens ou duas mulheres são uma família, que proponha a mudança da Constituição.

Interessante o argumento do candidato, tendo em vista que a Constituição é a representação clara da intervenção do Estado em nossas vidas. Não digo que não deveria existir uma constituição, mas a partir do momento em que ela intervém nas escolhas individuais de uma pessoa (e um casamento é uma escolha individual), tanto o argumento quanto o plano de governo já se contradizem. E olha, ainda estou na página 4 das 81.

“Quebrado o atual ciclo, com o Brasil livre do crime, da corrupção e de ideologias perversas, haverá estabilidade, riqueza e oportunidades para todos tentarem buscar a felicidade da forma que acharem melhor”.

Isso não é uma contradição, mas uma observação. O que o candidato quis dizer com “ideologias perversas”? Perversão na mente de quem?

“Liberdade para as pessoas, individualmente, poderem fazer suas escolhas afetivas, políticas, econômicas ou espirituais.”

Em um cenário de real liberdade, não importaria se uma pessoa fosse capitalista e a outra comunista. E também escolhas afetivas incluem sim, a liberdade de “escolher” com quem relacionar. No entanto, em uma matéria no site GospelMais, o candidato disse o seguinte:

“Deus acima de tudo. Não tem essa historinha de Estado laico não. O Estado é cristão e a minoria que for contra, que se mude. As minorias têm que se curvar para as maiorias”

A fala do candidato contradiz diretamente o que foi escrito em seu projeto de governo. No momento em que ele fala que “liberdade para as pessoas, individualmente, poderem fazer suas escolhas […] espirituais” e em público ele dizer que “o Estado é cristão e a minoria que for contra, que se mude” ele se contradiz diretamente.

“Devemos ser fraternos! Ter compaixão com o próximo. Precisamos construir uma sociedade que estenda a mão aos que caírem. Escolhas erradas ou tropeços fazem parte da vida. Ajudar o próximo a se levantar nos diferencia como humanos”

Escolhas erradas ou tropeços fazem parte da vida de qualquer um. E o crime é uma escolha errada. Há inúmeras pessoas que foram condenadas, cumpriram sua pena e hoje são parte integrantes da sociedade. No entanto, o candidato em entrevista ao Jornal Nacional disse que “bandido não é ser humano normal” e que defende policial que matar “10, 15 ou 20”. Isso vai no lado contrário da fraternidade! Há diversos sentidos de fraternidade, mas o mais aceito é:

“Implica em sentimento de irmandade entre as pessoas, que remete às ações que comprovam respeito à dignidade de todos os seres humanos, considerados iguais e com plenos direitos.”

Ainda na quinta página do projeto de governo, o candidato se contradiz ainda mais.

“Mais importante: uma Nação fraterna e humana, com menos excluídos, é mais forte. Há menos espaço para populistas e suas mentiras. O Brasil precisa se libertar dos corruptos. O povo brasileiro precisa ser livre de VERDADE!”

Quando o candidato diz “uma nação fraterna e humanos, com menos excluídos” fica bem evidente que o candidato quer dizer que pretende beneficiar as minorias. Ou melhor, essa seria uma ideia fraterna e humana… No entanto, recentemente em vídeos divulgados, o candidato disse que a “O Brasil vai ser governado para a maioria, a minoria tem que se curvar para a maioria”. Essa fala foi dita exatamente para falar sobre o estado laico, citado anteriormente neste texto. Como pode uma nação ter menos excluídos, ao mesmo tempo em que a minoria deve se curvar para a maioria? Isso só vai criar mais exclusão.

“Qualquer pessoa no território nacional, mesmo não sendo cidadã brasileira , tem direitos inalienáveis como ser humano, assim como tem o dever de obedecer as leis do Brasil”

A contradição nesse caso não vem do Bolsonaro, mas do seu vice. Enquanto Bolsonaro pretende criar um campo de refugiados para os venezuelanos, Mourão diz que os venezuelanos precisam ser expulsos de Roraima e serem movidos para outros estados.

“Houve até “bolsa crack” em cidades administradas pela esquerda, como por exemplo em São Paulo”

De fato existe (ou existiu, não tenho informação atualizada dela) a Bolsa Crack. Mas não, ela não serviu para pagar crack para os indivíduos. Muito pelo contrário, em artigo de 2013, o Bolsa Crack foi introduzido pelo governador Geraldo Alckmin (sim, foi o estado de São Paulo que aprovou o projeto e não a cidade, como citado no plano de governo). A Bolsa Crack é um projeto que paga R$1.350 para internação de viciados em Crack. Inclusive, essa citação da proposta de Bolsonaro já foi desmentida anteriormente como no site Boatos.

“Redirecionamento da política de direitos humanos, priorizando a defesa das vítimas da violência”

O candidato e muita gente (tanto de esquerda quanto de direita) aparentemente esquecem que o direito humano é para todos. Independentemente da posição política, religiosa, social, se é bandido, “cidadão de bem” ou policial, militar, etc. Enquanto a direita quer manipular os direitos humanos só para um lado, a esquerda faz o mesmo. Direitos humanos não deve ser jogo político de esquerda nem de direita…

“Mais Médicos: Nossos irmãos cubanos serão libertados. Suas famílias poderão imigrar para o Brasil. Caso sejam aprovados no REVALIDA, passarão a receber integralmente o valor que lhes é roubado pelos ditadores de Cuba!”

Em seu projeto de governo, ele diz “nossos irmãos cubanos serão libertados”. No entanto, em comício, o candidato disse o seguinte: “Vamos botar um ponto final do Foro de São Paulo. Vamos expulsar, com o Revalida, os cubanos do Brasil“. Ou seja, o candidato chama os médicos do Mais Médicos de “irmãos cubanos” e diz que “suas famílias poderão imigrar para o Brasil” ao mesmo tempo em que diz “Vamos expulsar, com o Revalida, os cubanos do Brasil”. Contraditório, não?

“Precisamos inverter a pirâmide: o maior esforço tem que ocorrer cedo, com a educação infantil, fundamental e média. Quanto antes nossas crianças aprenderem a gostar de estudar, maior será seu sucesso.”

Não se trata de contradição, apenas de opinião. Creio que, em minha opinião de estudante de nível superior, não se trata de inverter a pirâmide, mas de eliminar a pirâmide de vez. O investimento no nível superior precisa continuar e crescer, assim como o investimento em outros níveis. Esquecer dos níveis superiores é minar todo o trabalho de pesquisa e desenvolvimento que é importantíssimo para qualquer nação. Veja como exemplo universidades como Stanford e MIT que são famosíssimas pelos trabalhos de R&D.

Eu citei apenas alguns pontos da proposta de governo de Bolsonaro, que conta com cerca de 81 páginas. Há diversas contradições nos comícios e nas entrevistas de Jair Bolsonaro e no plano apresentado pela sua equipe política. A pergunta que fica é: se antes de governar já há diversas contradições imagina quando for eleito.

O candidato, no entanto, apresenta boas propostas em outros setores como aumento da iniciativa privada em investimentos na aviação comercial, no setor energético do Brasil e em outras áreas.

Opinião: Há muitas contradições, muitas mesmo. Não se trata de vídeos ou matérias manipuladas, o candidato já declarou em inúmeras entrevistas coisas que são totalmente contra o seu plano de governo. Se formos levar em consideração somente o plano de governo de Bolsonaro, ele seria o candidato mais “liberal” (na realidade, seu pensamento liberal só é a na área econômica, em todo o resto o Estado deve ser rígido). Sim, eu não votaria no candidato nem que ele fosse o único candidato para votar. Mas isso não significa que todas as propostas do candidato sejam ruins.

Próximo candidato: Haddad/Lula.

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  1. […] disse anteriormente, e no próprio artigo: irei fazer de todos os principais candidatos: Alckmin, Bolsonaro, Haddad, Marina, Ciro e Amoedo. O plano político de Haddad está disponível no site ou pode fazer […]

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