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Apesar dos comentários no Facebook, afirmando que sou esquerdista e que não entendo do liberalismo (apesar de ter citado o liberalismo em apenas um trecho), trago aqui as contradições do programa de governo de Fernando Haddad/Lula e de sua equipe. Como disse anteriormente, e no próprio artigo: irei fazer de todos os principais candidatos: Alckmin, Bolsonaro, Haddad, Marina, Ciro e Amoedo. O plano político de Haddad está disponível no site ou pode fazer download aqui.

No artigo anterior falei da questão da fraternidade do Bolsonaro que em seu plano de governo é maravilhosa, mas na prática e nas entrevistas já é bem visível que é tudo menos fraterno, no programa de Haddad também é perceptível contradições. Por exemplo, Bolsonaro em seu proposta culpa a esquerda pelos principais problemas do país. Haddad diz o seguinte:

“Ou o país constrói o seu caminho para a democracia, desenvolvimento e a justiça social, ou afundará no rumo imposto pelo ilegítimo governo Temer e PSDB e sua maioria parlamentar, com apoio de setores da mídia e do empresariado.”

No plano de governo de Bolsonaro ele culpa a oligarquia corrupta esquerdista, já Haddad culpa o ilegítimo governo Temer e o PSDB. Aparentemente ninguém quer assumir a culpa ou assumir que o problema pode não ser de esquerda ou direita, mas sim de todo o governo de todos os partidos.

“Além disso, interromperemos as privatizações e a venda do patrimônio público, essencial ao nosso projeto de Nação soberana e indutora do desenvolvimento, e tomaremos iniciativas imediatas para recuperar as riquezas do pré-sal, o sistema de partilha e a capacidade de investimento da Petrobras e demais empresas do Estado.”

Não é contradição, mas comentário. Será que isso realmente é a solução? Como já foi dito por inúmeros economistas e pelo próprio cenário político-econômico brasileiro que a gestão das empresas do Estado é falha e muito corrupta. Já vimos os inúmeros casos de corrupção na Petrobrás, o que dizer das outras empresas em que ainda não houve investigação? Além disso, como o Estado é o maior acionistas em empresas como Petrobrás, a decisão final de voto é do governo, isso impede o crescimento das próprias empresas, como na exploração do pré-sal e em outras áreas.

“Mas não haverá efetiva democracia na sociedade sem democracia, diversidade e pluralismo na mídia. Isso será feito por meio de um novo marco regulatório da comunicação social eletrônica, a fim de concretizar os princípios da Constituição Federal, bem como pelo fortalecimento da comunicação pública e das rádios e TVs comunitárias. Além disso, vamos conectar o país inteiro por meio do programa Brasil 100% Online, que promoverá a universalização da internet banda larga de qualidade.”

O Haddad em todo momento fala que ele e o PT estão sendo censurados pela mídia, ao mesmo tempo que quer propor um marco regulatório da comunicação social eletrônica, que na prática serviria exatamente para censurar a mídia. Esse artigo do Os Divergentes fala um pouco do mal que esse marco regulatório poderá trazer para a comunicação midiática no Brasil.

“O governo Haddad devolverá à educação a prioridade estratégica em nosso Projeto de Nação, atuando como atuou, da creche à pós graduação. Vamos ampliar sua atuação no ensino médio, revogando a reforma autoritária promovida pelo governo Temer e apoiando os Estados e o DF na ampliação do acesso, garantia de permanência e melhoria da qualidade do ensino de nossa juventude. Vamos também ampliar a participação da União no ensino médio, normatizando o uso público dos recursos do Sistema S na oferta de ensino médio de qualidade e assumindo, em parceria com os Estados e o DF, a melhoria do ensino em escolas de regiões de alta vulnerabilidade.”

Apesar de Lula ter investido na educação de forma crescente nos 8 anos em que foi presidente, como mostra esse artigo. Segundo dados do INESC, o número de matrículas diminuiu nos 8 anos em que Lula foi presidente. E o governo do PT foi deficiente no combate ao analfabetismo.

“Em lugar de ganhar matrículas com o Fundeb, em vigor desde 2007, a educação infantil e o ensino médio públicos perderam juntos mais de 65 mil matrículas em um ano. A involução da educação de jovens e adultos foi ainda mais crítica, com redução de mais de 260 mil vagas. No combate ao analfabetismo, o Governo Lula foi gravemente lento. Segundo o marco legal brasileiro, ele já deveria estar superado ou com taxa próxima de zero. No entanto, nos dois mandatos de Lula caiu de 11,6% para 9,7% na população acima de 15 anos. Em oito anos, uma queda de 1,9% na taxa de analfabetismo é um desempenho vergonhoso para uma das maiores economias do mundo. “

Isso significa que nos 8 anos de governo de Lula, apesar do aumento na educação, houve queda de matrículas e a diminuição do analfabetismo foi de apenas 1,9%. Sem falar que essas estatísticas não contam o analfabetismo funcional.

O problema de comprar as incroguências de Bolsonaro e de Haddad, é que enquanto um mente descaradamente e é bem perceptível entender que há diversas divergências entre o seu plano de governo e as suas falas (estou falando de Bolsonaro), o outro mente muito bem e esconde por debaixo dos panos. Além disso, como o governo de Haddad seria, de certa forma, a continuação do governo do PT, é mais interessante comparar a gestão dos governos Lula-Dilma do que da gestão de Haddad em São Paulo, por exemplo.

Por exemplo, a BBC preparou um artigo sobre o legado do governo de Lula, segundo indicadores socio-econômicos. Por exemplo, em relação ao ranking global das economias, o Brasil pulou da 13ª posição em 2002, para a 6ª posição em 2011, ultrapassando até mesmo a Grã-Bretanha. O problema é que o Brasil começou a cair, principalmente no governo Dilma e hoje se encontra na 9ª posição.

Além disso, a nota do Brasil no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, que era de 0,649 no início dos anos 2000, chegou a 0,755 hoje, o que indica uma melhora. Outro indicador que também teve uma melhora foi o da desigualdade. O coeficiente Gini do Brasil, nos cálculos do Banco Mundial, passou de 58,6, em 2002, para 52,9, em 2013 (último dado disponível).

No entanto, a percepção da corrupção do brasileiro também caiu. Enquanto em 2002, o Brasil ocupava a 45ª posição, em 2015 passamos para o 76º lugar. Isso significa que a noção que o brasileiro tem da corrupção diminuiu e consequentemente deu margem para o aumento na corrupção. Outro dado negativo também foi a estagnação em relação ao Brasil ser um ambiente para negócios. Todo empreendedor sabe que o mercado brasileiro é péssimo para pequenos empreendedores. Apesar de existir um aumento de ofertas de crédito, principalmente das fintech, o mercado brasileiro e o próprio governo de Lula e Dilma tornaram o país mais complicado para negócios.

Abaixo há um infográfico da Exame sobre o que mudou no Brasil no governo do PT nos últimos 13 anos. Vale notar que os destaques são para as areas mais exploradas na campanha: pobreza, educação e economia.

Apesar de ter um certo ódiozinho do MBL e do Kim, ele fez um vídeo mostrando as mentiras de Haddad no Jornal Nacional e eu achei interessante compartilhar aqui.

Creio que isso deixa em resumo uma coisa: não importa se é Bolsonaro, Haddad, Ciro, Marina, Amoedo, todo político vai contar uma mentira só para ganhar teu voto. A questão é que alguns são mais explícitos na mentira (e o povo acredita) e outros são mais implícitos (e, por isso, torna mais fácil do povo achar que não só não é mentira, como é fake news, quando não é).

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